Assassinato do 2º Grau
   
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Carta à um (querido) cético! Eheheh...

 

Pô, Brancaleone, deixa de ser tão assertivo numa coisa que nunca lhe passou pela cachola e que nunca pesquisou!

Não se trata de macumba, “vuduísmo” e crendices. Embora tudo isto possa ser levado em conta quando se trata de estudar a alma, o espírito, mesmo o encarnado. Estudar tudo o que a mente pode engendrar e filtrar é muito interessante. As verdades podem não ser estas que você está aferrado  e que acabam por ser uma fé sua, como a minha, por exemplo. Acontece que minha fé está baseada em estudos, vivências esporádicas que sugerem a sobrevivência da alma e a reencarnação!

Não sei se você se lembra, mas na década de 70 foi lançado um livro aqui que tinha o título de “Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação", por um americano, Ian Stevenson. A editora não era especializada, mesmo assim deu um título errado à obra. O certo seria ”…QUE SUGEREM a reencarnação. Um catatau que se atirado em alguém matava! :o) Não foi o melhor livro do mundo no assunto, mas deixava uma pulguinha (sem parentesco com a ex-freqüentadora do Pedê) atrás da orelha!

Saltando alguns anos, na década seguinte eu estava “juntado” com uma mulher (como todos sabem! Eheheh) e ela tinha dotes mediúnicos, estes eram pra lá de irregulares. Eu não boto a fé em tudo que um médium fala só porque se pressupõe um espírito guia do outro lado. Pode não ser; pode ser uma manifestação anímica; pode ser um espírito litigioso e por aí vai. Eu acabara de ter tido um sobrinho, que todos amavam, um bebê Johnson como se dizia umas décadas atrás. Ele foi criado por minha mãe, pois minha irmã sempre foi um caso sério. Ela tinha um cuidado extremo com o menino, principalmente com seus pés. Isto nós atribuíamos a um trauma do passado, ao fato de eu ter perdido uma irmã de 4 anos, tão linda quanto, diga-se, por tétano, por um simples calçado com uma imperceptível pontinha de tacha que havia ferido a princesa da casa. Minha família era rica, por assim dizer, então.

Pois bem, uma noite, duas horas depois de nos deitar, a minha companheira acorda e fala sobressaltada:
-O pé, o pé, o pé! Por isso a Robertina é tão obsessiva quanto a ele! O César é a reencarnação de Soninha!!

Eu, sempre um passo além de cético, falo: - Tá bom, é , deve ser. Volto a dormir rapidamente . Um ano depois o bebê já falava alguma coisa, bem pouco. E…..não havia meio de fazê-lo aceitar ser chamado , "-Êi!!!, menino?!, vem cá!"
Ele se voltava para a pessoa e dizia, escandindo:
-ME-NI-NA!!
Passou um tempo ele esqueceu isso e , até onde sei, nunca foi homossexual também! :o)

Pois é, Brancaleone, não diga que não há possibilidade, pois há. Os psicoterapeutas que usam o método estão se lixando se o fenômeno é verdadeiro ou não. O certo é que funciona como método terapêutico. Pastores protestantes, com tudo contra, formaram uma grande escola de estudo sobre isso.

Abração!

Aqui o post do Weblog que gerou estas reminiscências, resposta à  um rompante, nº 52 ,do Brancaleone :

http://pedrodoria.com.br/2007/10/06/uma-entrevista-aos-sabados-9/#comments

 



Escrito por Delsio às 01h46
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Peraí,.....

 

 

 Será que dá para trocar o modelo pelo Reynaldo Gianecchini?!

 :o)



Escrito por Delsio às 11h57
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Na festa do Délsio....errrr....,quer dizer: do Índio!

 

 

 Tinha um tal de Didi que encostou no cara, sô!

Ops...,sorry, sou eu!!!

 

 



Escrito por Delsio às 20h25
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Filme de David Lynch é ....estranho?
Estranho é não achar estranho um filme dele, claro! Adorei Veludo Azul, por exemplo. Na tevê ele confirmou as alucinações e as cenas oníricas. Agora ele põe à solta uma família de coelhos -vestida de gente- pelo novo filme ,sem nenhuma explicação! Louco é pouco! Estou achando que ele é a reencarnação de Lewis Carroll e que pirou por causa da srta. Lidell !
Aqui a notícia:
 

Cena de Inland Empire, de Lynch 

Cena de Inland Empire, de Lynch

Por Arthur Spiegelman

LOS ANGELES (Reuters) - David Lynch não é um diretor como os outros. Os críticos dizem que seus filmes não fazem sentido, e até o cineasta admite que eles são difíceis.

Mas Lynch contribui para o ar de mistério fazendo esquisitices como levar uma vaca para passear num cruzamento movimentado de Los Angeles ou resolvendo entrar no negócio do café para que seus espectadores tomem do seu café enquanto assistem aos seus longas.

Lynch diz que levou a vaca para passear, numa coleira, porque todo mundo gosta de uma vaca. Quando uma jovem perguntou se podia fazer carinho no animal, recebeu a resposta: "Não, a vaca está trabalhando".

O diretor, autor de filmes como "Veludo Azul" e "Cidade dos Sonhos", está levando vacas para passear, carregando pôsteres da atriz Laura Dern e recebendo admiradores num café, tudo para promover seu mais recente projeto, um filme de três horas chamado "Inland Empire" (império no interior), que ele está distribuindo pessoalmente pelos Estados Unidos.

A crítica elogiou a performance de Dern, embora não tenha entendido bem se ela está atuando ou qual personagem ela faz. Há pelo menos três para escolher.

Mas não tem importância. Os críticos não sabem muito bem do que "Inland Empire" trata, mas dizem que ele combina perfeitamente com Lynch, o diretor cult favorito de Hollywood, graças a seus projetos surreais.

A crítica do "New York Times" escreveu, recentemente: "Há poucos lugares no cinema tão assustadores para se ficar quanto a cabeça de David Lynch".

"Inland Empire" começa contando a história de uma elegante atriz loira numa mansão, que estrela um filme amaldiçoado. Logo ela e o papel se misturam e a trama, que se passa numa área deserta perto de Los Angeles, vai parar nas ruas cheias de neve de Lodz, na Polônia, e depois no meio dos sem-teto do Hollywood Boulevard, onde a atriz se refugia.

Tudo no filme é ameaçador, e, para piorar, há uma família de coelhos vestidos de gente. Sempre que os coelhos falam, surge uma claque. O que aqueles coelhos estão fazendo no filme é um mistério que só Lynch pode -- mas não quer -- revelar.

"Não falo sobre esse tipo de coisa. Há algo nisso que me parece certo, tão certo que me deixa feliz. Embora eles sejam coisas abstratas, eles têm um papel muito importante na história para mim, e é isso."

Lynch quer que os espectadores sintam seus filmes, e não os entendam de uma forma concreta. "Não é uma coisa intelectual. Sou um cineasta intuitivo. Você vai pela intuição, deixa a idéia falar."



Escrito por Delsio às 21h48
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Frightening Halloween?!

I'll tell a little tale. In fact, it's a true history that happened to me last week.


I went to a Halloween's party. There I could meet some aquaintances just to dance and drink and to flirt with no real odds to hit any prize. Just for fun. And I did! Everybody was loosen up costumes or without them...shirts off..pretty faces..great bodys...all that stuff! At certain moment , one little handsome man, a life-guard, who was dressed like a mummy, all in bandages and a swimsuit..hummmm..came in our direction..and I complimented him when he arrived at our table. He greeted me back nicely and just after that he said he'd never seen me till then! Although I recollect that both of us were presented to each other at least 4 times before, two times at work and two times at parties.
Should I be pissed-off or what!?

Sure thing, NO!
Nobody has to love or be fond of anyone if it's not her/his thing!

I just laugh out of my misery here!!
See you later, aligator, Mr. Ferreirinha! That's the name of the bastard!

Love him, though!

Ciao!



Escrito por Delsio às 18h25
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A Penúltima Vez Que Vi Paris!  -  I 

 

 

Eu ficara desempregado por quase um ano e minhas economias estavam se esgotando. Havia deixado isto acontecer  por covardia. Eu tinha um plano. Não queria ser o responsável pela frase que selasse minha separação com Lenora. Teria de partir dela abandonar a relação. Todos os quase 11 anos da relação, que duraria mais um ano ainda, eu tinha sido um marido exemplar. Nenhuma traição no currículo! Não me orgulho disso, por incrível que pareça, não digo isto para amealhar simpatia. Não era uma extrema moralidade que me impedia: eu não tinha jogo de cintura, simplesmente. Nunca soube mentir, apesar de viver uma mentira. Só me fechava ao mundo exterior, exceto trabalhar. Por isso , quando me separei tive dificuldades em todo tipo de relacionamento, o que reflete até hoje, pois jamais me adaptei à sociedade de novo. Vivo uma espécie de auto-clausura. Minha janela para o mundo é o Micro, nele eu atinjo o Macro. Ou penso atingir. Não estou clamando por piedade aqui, é assim que é. Perdi certas chaves de simples conversação/interação e não as encontrei mais.

 

Voltando. Meu intento era que ela se desapegasse –eu temia uma reação irracional e de choque de Lenora- aos poucos de mim. Ao fim de nove anos de coexistência eu estava muito debilitado, com alergias e uma astenia até para brigar ou apenas discordar de minha companheira. Meu comportamento sombrio e depressivo se acentuava e com eles as doenças, psicossomáticas ou não! Aí, como já contei antes, eu informei secamente: - Eu não quero mais ter relações sexuais com você, Lenora.

O mundo acabou para Lenora! Ela ficou possessa e inconformada. Minha vizinha soube, também minha mãe, irmãos, cunhadas. Enfim, faltou apenas publicar no "Diário da Cidade" que eu não “a procurava mais”. Tudo isto com o intuito de me vexar e ela voltar a ter o que queria e, principalmente, reverter a rota da separação que se desenhava. A solidão tende a cometer muitos desatinos, quando não a aceitamos!

 

Ao fim de um ano, de “separação de corpos”, Lenora joga a toalha. Está se mudando para São Paulo, assim que os proprietários –minha cunhada e esposo- do apartamento conseguirem vendê-lo, ela informa com um muxoxo. Eu, contendo a satisfação e o alívio, disse , muito protocolarmente, que ela fizesse o melhor para si.

 

Nessas alturas, eu já havia me empregado de novo em um cargo menor do que eu tinha deixado no Flat anterior,  de Chefe da Recepção; eu, já desesperado, implorei pelo emprego e fui aceito para ser Recepcionista do Flat Capitânia Varam, um grande condomínio.

Como o dinheiro era muito pouco eu passei a me interessar por concursos. Até que eu tive sorte nas colocações -dentro do número de vagas- da minha primeira tentativa, mas eles nunca me chamaram. Até que fiz um para Escrivão da Polícia Civil! Beleza!

Primeira fase, escrita, 200 perguntas: 1º Lugar!

Segunda fase, datilografia (ainda existia isto em 94!): 1º Lugar!

Terceira fase, Prova Oral..........

Aí a coisa entornou! Meus problemas psicológicos com autoridades –qualquer autoridade, seja um grau acima de mim na hierarquia- que se aproximando dentro de um raio de dois metros, me faz perder o rebolado! Sempre foi assim. Não me preparei -que estúpido!- para essa contingência.  Sempre trabalhei com extrema naturalidade fora de supervisão, com um mínimo de erros se confiado a mim mesmo! Eu errei boa parte das perguntas de Geografia e História, já em Matemática o bloqueio me fez errar uma simples equação de 1º Grau! Um desastre! 



Escrito por Delsio às 02h45
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A Penúltima Vez Que Vi Paris!  -  II 

 

 

 

Bem, exatamente neste dia fatídico, que começou para mim às 5 horas da manhã com uma das maiores chuvas torrenciais de muitos e muitos anos na minha região, eu ainda tinha um outro concurso a prestar nesse dilúvio, sendo que o local deste distava 60 quilômetros daquela minha estrondosa derrocada.

 

A prova era –graças a Deus- à tarde e mal deu para eu passar em casa e comer alguma coisa. Eu estava totalmente desanimado, inconformado por não ter me preparado mais; por ter perdido uma vaga de emprego estável quando faltava tão pouco! Batido; revoltado comigo mesmo! Fiz a prova escrita e ao sair da sala percebi que não tinha atingido nem 80% de minha capacidade nas respostas. Tudo se somou. E a depressão não teve trabalho nenhum em se instalar!

 

Aguardei com ansiedade o resultado do teste na Prefeitura de Bertioga. Da Polícia Civil eu tinha certeza que fracassara, mas no de Bertioga tinha uma leve esperança. E consegui! Lá vai o gajo aqui para o 2° teste. Datilografia. Também não fui mal neste, nem excelente tampouco! O bastante para a última fase, que era uma entrevista com um psicólogo, ou poderia ter sido um estagiário de Psicologia, não saberia dizer! A pergunta era: - Eu vou suportar o olhar do examinador e suas terríveis –para mim- perguntas?! 

 

A partir daí  o fator Destino, ou Anjo da Guarda, ou Providência Divina, começa a agir! Não estava muito lá bem colocado, eu suponho, por todos os golpes que havia sofrido naqueles dias. Eu concorria com outros 400 candidatos para 38 vagas. Não via muitas chances de conseguir colocação.

 

Mas lá estou eu em frente ao Colégio Belegarde, esfregando as mãos frias. Esperando a chamada do meu grupo para a entrevista. De repente olho para o lado e há dois metros de mim está Valério! Ausente também, até então, de minha presença. Esperava ele a esposa, que acabara de ser chamada para os testes! Luz da minha vida! Chama eterna a me aquecer! Coração adorado! Anjo Moreno encarnado!  Coletem todos os chavões aí, por favor! Os mais lindos -daqueles de matar diabéticos de overdose!- que puderem encontrar e me emprestem...! 

 

Já disse aqui, Valério é uma das almas mais puras que já conheci. Vê-se pelo branco sorriso largo, mas comedido. Vê-se pela mansidão e graça de seu andar; uma pele, morenaça, que exsuda bondade. Uma das pessoas mais lindas que já vi! Juro! E ele, em sua bondade santa, passa a conversar distraidamente comigo, cujo nervosismo era visível....no começo! Aos 5 minutos de conversa tudo o mais, para mim, era irrelevante. Teste, que teste?! Ele me falava de seu emprego excelente na Dow Química e de seus dois anos de casado! Pouco ou nada retive. Eu não estava, exatamente, neste mundo, entendem?! Aos 15 minutos -acredito eu!- a emoção começou a transbordar, e eu falei de chofre – Valério, eu ainda te amo. Isto não vai desaparecer de mim, eu sei! Ele me devolve um sorriso casto, sem constrangimento. E voltamos a conversar amenidades, pontuadas com a reiteração de minha afirmação anterior, recebidas sempre com generosidade, que vinha da comiseração; de sua alma elevada ou de algum bem inerente à classe de arcanjos de onde ele saiu.... Só sei que ele suportou minhas juras sem exasperação, sem a urgência no olhar que percebemos quando somos repelidos! Depois de quatro ou cinco “Eu Amo você!” sou chamado para um estágio no céu: A Entrevista. Só sei que eu estava tão banhado pela luz emprestada do Valério que tudo transcorreu na maior serenidade e empatia com a psicóloga!

 

O resultado disso foi o quinto lugar no concurso de Oficial Administrativo da Prefeitura de Bertioga do ano de 1994!

 

Fui salvo pelo Amor! Que não vou perder, talvez por nunca tê-lo exatamente ganho! Ele sempre esteve comigo, antes mesmo de conhecê-lo. E ele se chama Valério de Souza. Seu nome verdadeiro! Um anjo que deu sentido a minha vida!

 

Abração à todos!   

 

 

PS.: Acreditem, Deus existe e Anjos também!

 



Escrito por Delsio às 02h44
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Onze anos, mais esta noite.

 

 

           Em 1995 eu estava me despedindo do Guarujá, pois havia passado -com real e inesperada ajuda de meu Anjo da Guarda encarnado, o Valério!- em quinto lugar em um concurso público de Bertioga realizado no ano anterior. Já passava do meio de uma tarde de julho, ou agosto, e voltava da Vila Lígia onde moravam meus irmãos e também o Valério. Ele me vê atravessando a rua e diminui a velocidade para me cumprimentar. Faço sinal para ele parar. Queria trocar algumas palavras de agradecimento -e contida veneração- por ele existir, só isso. Foi a última vez que o vi! Mas ele me alimenta até hoje, acreditem. Não só de pão, mas de uma beleza, de uma pureza que jamais teve par e suspeito que nunca terá..

          Todo o imbróglio que Valério, involuntária e inocentemente,  acabou por co-protagonizar entre mim e Lenora estava na reta final para a dissolução: por exaustão e desespero malsão de minha parte. Eu passava dias sem alegria, sem forças até para reclamar. Doenças psicossomáticas se materializavam, se tornavam reais pela própria dinâmica da depressão e de seu natural efeito sobre o sistema imunológico. Nada de Lenora se aventurar a perguntar o que estava acontecendo. Ela não era besta de ver confirmada –na lata- a razão de me ter ao seu lado. Simplesmente não ousava um: - O que está acontecendo? Por que a melancolia? Por que a fragilidade?! Por que a apatia geral?! Ela sabia desde o início que eu era gay. Isto não importava para ela, nunca importou! A companhia e o sexo falavam mais alto do que qualquer escrúpulo. A solidão seria um preço muito alto para ela. Não estou condenando-a. Não sou inocente tampouco, simplesmente era assim.

          Voltando ao Valério e ,desta vez, ao final de 1983, quando tudo havia se precipitado totalmente em reverso à minha vontade. Lenora pressionara e eu cedera. O colegial se revelara pesado para um quinto-anista do 1º grau. Eu não iria ser “promovido” na escola e fora mandado embora do serviço pela ligação incorreta com a gerente. Pra piorar ela, em mais um ataque de estupidez, se demitiu em “solidariedade” à minha demissão. Uma comédia de erros, se não fosse trágico! Então.........Valério adoece.. - Meu Deus,....o que mais agora ?!  eu pensava aflito. Felizmente era apenas uma apendicite que foi removida no mesmo dia, com um par de dias de internação. No leito pós-operatório  ele sorriu ao me ver entrar. Não era nada, tudo ocorreu nos conformes. Sua mãe - uma pessoa muito simples -, que estava do outro lado da cama, esboçou um sorriso cansado. Eu me aproximei mais amarrado que o Diabo numa sessão de descarrego do próprio Bispo Macedo. Até onde mostrar minha apreensão e meu amor?! Aonde encontrar as balizas do apropriado?! A escapatória foi proferir alguns chavões salvadores e brincar com a situação. Só na hora de se despedir que ouso um gesto. Passo a mão nos cabelos negro-graúna, que lhe caem na testa, arrumando-os : -Fica bom logo, muleque! Foi a primeira e única vez que o toquei. 

 

Eu amo você, Valério!

 

 



Escrito por Delsio às 20h24
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André Gide e Ocar Wilde frequentam Blogs de direita!

Muitos acham que a direita tem de ser homofóbica por natureza. Não é! O Olavão exagera na homofobia às vezes. Já o Blog do Reinaldo Azevedo, hoje, lamenta a ausência de André Guide no mundo e não deixa de gostar de Oscar Wilde, mas isso seria impossível mesmo! Como não não gostar?! Transcrevo o post inteiro, o Reinaldo derrapa feio na titulagem, no entanto.

Serra, Berzoini e o prazer dos pervertidos

Serra não vai processar Ricardo Berzoini? Eu processaria. Antes, como sempre, uma digressão, que é o meu jeito de fazer os petralhas mudarem de blog — eles já têm um em que dão o tom; não precisam do meu. Na sua autobriografia, Si le Grain ne Meurt, André Gide — que, infelizmente, anda esquecido na França, aqui e no mundo — narra um encontro que teve com Oscar Wilde no Marrocos. Os dois tinham ido lá em busca da mesma coisa: jovens árabes. Gide, um protestante puritano, ainda era virgem. Wilde já tinha enfiado o pé na jaca, dentre outras coisas. Ele arruma alguns garotões com “olhos de gazela” para Gide. Depois a minha memória se embaralha, mas acho que foi ali que o francês conheceu “os frutos da terra”. Mesmo despido de moralismo ao narrar as lembranças, Gide registra o prazer que Wilde sentia com seu constrangimento. E emenda qualquer coisa assim: “A maior vitória de um pervertido é assistir à queda de um puro”. Se não é isso, é quase isso. Se a frase não for de Gide, então que seja minha, pronto. Gostei dela. Volto ao meu burocrata soviético predileto: Berzoini. Como o PT está se borrando de medo da CPI dos Sangussugas, o homem veio hoje a público dizer que Serra está sendo “poupado” pela imprensa. Poupado por quê? Quando Humberto Costa assumiu, havia ambulâncias compradas e empenhos já decididos. Lula suspendeu os pagamentos. O dono da empresa quis saber como poderia receber. E aí que entra a quadrilha. A maior prova de honestidade da gestão anterior do Ministério da Saúde, a de Serra, está justamente no fato de que os pagamentos aguardavam o trâmite normal. Em momento nenhum o empresário Luiz Antonio Vedoim citou a gestão do tucano na Saúde. Berzoini fala porque sabe que dá título na imprensa, cria ruído, verdade e mentira se misturam. Fala porque adoraria assistir “à queda de um puro”. Só que há um pequeno problema aí: Gide e Wilde gostavam da mesma coisa. Serra e Humberto Costa são feitos de naturezas distintas.
 
 
Link:



Escrito por Delsio às 21h28
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Querida, não é o que você está pensando! 

Creio que se deva mais e mais denunciar casos de agressão física ou verbal como comportamento intolerável.
Agora estes meus amiguinhos me matam de vergonha algumas vezes. Vejam a notícia:

Gays quebram CD de Leonardo em protesto

DA AGÊNCIA FOLHA

Cerca de 400 militantes ligados a movimentos homossexuais e simpatizantes promoveram ontem, em Goiânia, um ato simbólico de quebra de CDs e DVDs do cantor Leonardo, para protestar contra declarações do artista consideradas homofóbicas.
A polêmica surgiu após o cantor dizer, no programa “Domingão do Faustão”, da Globo, qual seria a reação de uma mulher ao flagrar o parceiro com outro homem. O sertanejo disse que ele deveria levar uma “pisa” -ser agredido.

Pelamordedeus! Não é um incentivo à agressão discriminatória de jeito nenhum! O que está em jogo não é uma ação vindicativa de um grupo de skin-heads, santo padre! Trata-se de uma situação particular de uma esposa que se depara com uma traição evidente! Vai ser difícil a traída sair do quarto e falar:

 - Bem, that’s IT! Agora eu entendo por que ele era tão burocrático na hora de fazer amor. Tadinho!!!

:o)



Escrito por Delsio às 11h22
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Bençãos Irlandesas

Que estradas apareçam indicando o destino
Que o vento sempre impulsione seus passos
Que o sol brilhe sempre em suas aspirações
Que a chuva se precipite, gentilmente, sobre sua lavoura
E, até que nos encontremos novamente,
Possa você estar amparado pela mão do Senhor!

Que você possa estar no Céu meia hora
Antes do Diabo perceber que você desencarnou


Que tenha uma parede para guardar-se do vento
Um teto para se proteger da chuva
Uma fogueira, bebidas e o riso fácil das coisas simples
Que aqueles que ama sempre estejam próximos
Que alcance tudo o que seu coração desejar.

Que você seja sempre indigente....em problemas,
Mas farto em graças
Tão lento em fazer inimigos,
Quanto mais rápido em estabelecer amizades
Que mesmo sendo rico ou pobre, rápido ou lerdo
Possa produzir apenas Felicidade
De hoje em diante!

Que seus bolsos estejam plenos
Bem como seu coração, leve
Que a Boa Sorte o persiga sempre
Em cada manhã e a cada pôr-do-sol!

Bem, galera, esta é uma tradução livre e pessoal, delculpem-me se há imprecisões! Tenho alguns amigos que estão neste país frio que só!Tenho certeza que as irlandesas estão se aproveitando deles. Ainda semana passada um bunitinho (~20 anos) me pede uma consulta com um urologista (a demora está em ~ um mês) já que não poderia viajar para a Irlanda doente como estava. Consegui com minha chefa a consulta...a droga é que são mesmo os mais bonitinhos que estão se evadindo do Brasil. Só vão ficar os feinhos, well ....quem sabe não dou mais sorte!  
Este post é para os católicos ou não-católicos que apenas amam a Irlanda.Tenham um grande Dia de São Patrício(17-03)!
Beijão,


Texto original e algumas outras coisas da Irlanda:
http://www.geocities.com/cawamn/St.Pat.html



Escrito por Delsio às 11h45
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Procurando Sarna Para Se Coçar

 

Tenho de partir do Primário para dar sentido a esta memória. O meu foi medíocre, como é para tantos outros milhões de petizes no mundo!  Não vou reclamar, pois basta olhar para o índice de analfabetismo que graça aqui no Brasil para se sentir, amargamente, um privilegiado. Pois bem, fui um aluno comum, abaixo da média até, que repetiu o 2º ano; que perdeu, mais a frente, um ano devido à morte de Arthur da Costa e Silva, creio. Talvez tenha sido devido ao interregno, que era necessário, então, para pular para a próxima etapa. Este ano extra era chamado de Admissão, na época. O ginásio (putz, como sou antigo!) veio, enfim, e.....empaquei na 1º Série! Repeti esta série também. Droga!

 

No Ginásio eu continuei mediano em tudo, menos em Desenho. Um desastre! A matéria era uma tortura: minha mão é trêmula desde a infância; minha habilidade em traçar uma linha, reta que seja, sempre foi um custo incrível para meus recursos, quanto mais encarar um plano ou perspectiva. Dos colegas de classe só lembro de dois, por quem eu nutria paixões. Platônicas para variar. Um deles era feirante. Um homem de 24 anos: um peixeiro que nunca cheirava a peixe. Ao contrário, Aírton sempre exalava um agradável cheiro de sabonete, além de ser lindo! O outro colega era jovem como eu. Marciano era forte e bonito, impossível de ser ignorado! Bem....ãrrrrã..., voltando, o certo é que eu larguei os estudos neste ponto e fui trabalhar. Não iria queimar meus parcos neurônios com Instrução. Nada disso! Não houve protestos de meus pais e burro fiquei!

 

Aos 15 anos, aproximadamente, como já contei, deixei a companhia dos amigos de adolescência e me enfronhei em leituras espíritas e freqüências a centros e “mocidades” kardecistas. Esta freqüência me dava acesso a mais livros ainda. Grande parte deles era psicografada. A escrita automática era uma aspiração forte em mim. Chico Xavier na época escrevia de maneira vertiginosa, e febril, páginas e páginas por horas a fio. Mensagens especulares até! E de uma qualidade indubitável (eu tinha que gastar esta palavra aqui, desculpem!). Então eu pus na minha cachola que tinha que praticar a tal da psicografia. Passava duas horas por dia nesta lide.  Orava em cima de uma escrivaninha, que na verdade era a máquina de costura de minha mãe, pedindo aos espíritos que me usassem como um instrumento de mensagens tão confortadoras e importantes quanto à dos médiuns que eu admirava..... Meses passam por mim. Minha mão não cooperava! Ela se movimentava sim, mas não havia uma dissociação quase que total do corpo como nos grandes medianeiros. Eu tomava o lápis, ou a caneta, e pouco depois da prece a mão se movimentava fazendo morros íngremes, trêmulos como ondas de um sismógrafo. Isto me deixava frustrado porque nada era produzido! Minha missão, a qual tanto almejava, estava ameaçada. Era uma esperança. Isto poderia ter me desviado totalmente de minhas inquietações sexuais! Eu poderia ter virado um “sacerdote” sincero e dedicado. Eu teria abdicado totalmente do sexo por isto. Sério! Abdiquei há cinco anos atrás, poderia ter feito o mesmo há trinta anos. No problem here!

 

Cheguei a trocar algum “diálogo” com minha mão (não riam aqui, estou falando diálogo com o espírito que, supostamente, respondia controlando-a, espertinhos!), mas a coisa era tão lenta que não me empolgava whatsoever! Mas um dia, um belo dia, estava eu no meu exercício infrutífero de sempre, e algo aconteceu: Minha mão, no meio dos costumeiros picos, se retesou de maneira mais firme do que o usual e começou a desenhar um dedo! Era um dedo indicador perfeito, com detalhes: unha, cutícula e tudo! Ele apontava para frente. Animei-me todo! "Agora vai!", eu pensava. Qual! No dia seguinte e durante o mês todo eu voltei ao mar de morros e picos para meu desapontamento total!

 

Assim o mundo perdeu um grande, e dedicado, médium psicógrafo! Podem crer!

 

Só!!!



Escrito por Delsio às 20h54
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Entrando Numa Fria - I

 

Pouco antes de deixar o meu “excelente” emprego de mensageiro eu voltei a estudar. Estava preparado para enfrentar o Colegial. Bem, assim me parecia. Como disse antes, de maneira indireta, em um ano eu consegui o diploma do ginásio. Graças ao governo brasileiro que produzia uma renca de diplomados-sem-noção à cada ano com os exames supletivos que eliminavam matérias de 4 anos regulares de uma penada só!  Encurtando a história: eu passei em todas as matérias na primeira tentativa. Estava pronto e acabado -em um ano- um estudante para dar com os burros n’água na etapa seguinte! Foi um desastre, mesmo eu tendo ido a um sebo e comprado os livros de matemática e português referentes aos três últimos anos que faltavam. Havia uma barreira intransponível, mesmo porque eu não sei colar. Nunca soube. Nem na faculdade eu consegui, coisa que todo mundo faz na boa!

 

Bem, eu -com 25 anos- ia aos trambolhões mesmo com a rala física e a rala matemática do primeiro colegial, e ainda por cima a turma era noturna. Isto quer dizer muita bagunça e....distração. A bagunça era fácil lidar: evitar o fundo da classe. Agora, a distração (essa praga dos homens!) era difícil de driblar. Eu sentava no meio da fileira de carteiras, sendo que na frente havia o doce Valério, 15 anos, e atrás o Antônio, um bancário da minha idade.  O último foi-me apenas um correto amigo, interessado em obter a graduação. Já o Valério era tão bonito, tão suave, que nem todos os esforços que eu pudesse exercer contra meus sentimentos davam resultados. Uma vez no laboratório de Química eu deixei escapar uma palavra que provocou certo choque,mas foi amenizado pelo desvio da galhofa; eu disse a ele em resposta a uma pergunta: - Não sei, coração! Acho que eu fiquei mais surpreendido que ele! Pano rápido.

 

Neste tempo (82/83), era moda “fazer Jazz” como dança. Isto era devido a filmes como “Fama”, “All That Jazz” e..., é claro, eu paguei este mico também! Mais uma frustração total e motivo de vergonha pelo resto da minha vida, mas o professor valia cada centavo daquela hora. Um Nureyev loiro e perfeito, clássico!Não alardeava isto, no entanto. Fazer dança na época equivalia a uma declaração enfática assumindo a homossexualidade! Não era, realmente. Não é agora, mas pra mim era, sem dúvida.

 

Voltando. Nesta época fui chamado pelo recepcionista com o qual trabalhei no Hotel Guarujá Inn, o Ferreira, para um lugar de auxiliar de escritório em uma colônia de férias. Ele gostava do meu trabalho reservado e sério, eu pensava, mas vai ver maquinava algum meio de destituir Lenora me envolvendo com ela, fazendo-a renunciar ao cargo de Gerente Geral, o qual ele era imediatamente subordinado, o que, por fim, acabou acontecendo. Nunca vou saber ao certo. Só sei que ele me conhecia; conhecia minha timidez e insegurança. Eu sabia que ele era capaz de algumas vilezas, mas quem não é?!

 

Na colônia Lenora me cobria de elogios e cuidados. Eles não assustaram de início, mas quando se tornou aparente seu interesse sentimental eu me vi em apuros: não era isso que eu queria; eu tinha certeza, desde os nove anos, que era gay. Além disso, ela era 35 anos mais velha! NO WAY!



Escrito por Delsio às 01h38
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Entrando Numa Fria - II

 

 

Eu tivera entre os 15 e 25 anos mulheres interessadas em mim, poucas, devido à minha fealdade/timidez, mas todas que tentaram eu driblara. Não queria enganar ninguém, não achava justo. Não iria usar ninguém, nem mesmo para esconder minha homossexualidade que tanto me vexava. Tenho este mesmo sentimento agora, como tinha na época do assédio da gerente. A primeira coisa que fiz foi tentar afirmar-me como gay. Tentei seduzir o Ferreira, que é dez anos mais velho que eu. Abri o jogo com ele sem obter resultado algum. Ele desconversou. Não gostava da fruta; compreendia-me; falava que eu deveria superar isto; procurar mulheres. Não queria me ajudar, neste particular, em nada. O pior é que ele –eu soube onze anos depois- envolveu Lenora no planejamento de minha “redenção” e afastamento do “mundo gay”.

 

Na escola crescia meu amor por Valério. Não via nada de errado em me apaixonar por um menor. Não há, basicamente, nada de errado mesmo! Exceto que é errado e passível de prisão pela sociedade atual. Mesmo que aconteça este arrebatamento de novo comigo não vou cair nesta. Em minha defesa eu poderia afirmar que era tão inexperiente quando aquele garoto, nossa idade mental eram equivalentes. Tanto ele quanto eu nada sabíamos sobre sexo. Provavelmente eu tinha duas experiências a mais que ele, contadas no post “Annus Horribilis”. Ele parecia virgem. Ora, eu também era! Em ambos os sentidos! E Valério era tão lindo, tão espontaneamente encantador que só não apelidei –mentalmente- de Tadzio (personagem de “Morte em Veneza” de Thomaz Mann) porque ele não era de um maravilhoso branco translúcido, como Tadzio, e sim de um esplêndido moreno-canela, como só em brasileiros encontramos. Eu me rendia a esta beleza, mais e mais, a cada dia de aula. Pisava em ovos. Media cada gesto para não assustá-lo com um carinho excessivo suspeito. Evitava o contato direto de olho-a-olho: ele perceberia se eu demorasse mais que alguns segundos, pensava eu!

 

Na colônia a coisa se precipitava de maneira rápida, mas eu estava “ausente”. Eu respondia ao carinho de Lenora apenas por cortesia ou por interesse material que me era oferecido. Eu era pobre! Não quer dizer que seja rico agora -tenho um emprego seguro e não tão mal remunerado- só estou melhor, felizmente para mim, que 50 milhões de brasileiros, infelizmente para eles.Mas se houvesse justiça no mundo eu teria nascido parecido com o Tom Berenger. Um dia isto pode mudar........na próxima encarnação! Mais um pouco e ela cerrou a marcação sobre mim, o que me desesperou mais ainda. Eu amava o Valério! Um amor como poucos. Acima, ainda, do que eu sentira, uma vez, por Oswaldo, que tanto me fizera sofrer e angustiar. Tudo para dar em nada! Eu não estava preparado para mais um NÃO que se aproximava à velocidade da luz, e que só escapava da minha percepção por eu ser muito burro!

 

Um mês depois de iniciar o segundo semestre eu conversava –embevecido- com Valério no pátio junto a uma parede; a meia-luz; a meia voz; atenção plena. Uma conjugação, um alinhamento fatal para a derrocada de minhas ilusões. Valério, mais uma vez, ouve minha queixa da perseguição de Lenora; falo que o comportamento está dando na vista; falo que ela pretende me levar à São Paulo para ver uma peça de Teatro, que quer ver “acompanhada”. Chega uma hora em que ele me encara e pergunta: - Mas, escuta.Você gosta dela?! O chão foge dos pés. A alma incendeia! Uma frase me escapa, selando o meu destino:- Não.... Valério... Eu amo você! Ele se retrai e procura alguma estabilidade, encostando-se à parede! Lívido -tanto quanto pode ficar lívido um moreno daqueles- ele tem apenas forças para emudecer totalmente. Nada responde. Eu me retiro totalmente vencido, sem esperar disso um final feliz! Afinal não sou uma linda donzela, apesar de ele ser um príncipe belíssimo! Ele não me procura para conversar por muitos dias. Quando volta a falar comigo finge não ter ouvido o que ouviu. Tudo se torna sombrio em minha volta. Suicídio não era uma opção, tudo em que eu acreditava condenava isto. Minha tristeza e angústia é notória. Lenora percebe, creio. O fato estimula seus sentimentos mais ainda. Senso de oportunidade? Talvez! Um dia ela me conduz aos seus aposentos; abre o jogo e diz que me ama loucamente. Eu digo, para mim mesmo: -What the hell! O que eu tenho mais a perder?! Vou nessa!

Que roubada, meu Deus, que roubada!

 



Escrito por Delsio às 01h37
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UNA FURTIVA LACRIMA

 

Voltar 35 anos e escrutinar a memória pode ser fácil para muitos, para mim não é. Não é à toa que um dos meus maiores ídolos na literatura é um memorialista: Pedro Nava. Fico fascinado pela prosa fácil e elegante com que ele apresentava, aos 70 anos, seus anos escolares; seus avós e contemporâneos deles. Tudo em minúcias de revoltar mesmo um cristão que cultive, com esmero, a capacidade de deter a inveja, aonde for que ela se apresente. Então no último post há uma lacuna, que não prejudica muito as conclusões. São as sessões de Umbanda que presenciei dos 12 aos 14 anos.

 

Tenho um irmão que, após um acidente automobilístico, apresentou um sério desequilíbrio mental. Ainda jovem, 20 anos, tinha ataques estranhíssimos. Furiosos alguns e outros de monoideísmo e prostração. Como católica minha mãe primeiro se voltou para N.S.Aparecida, N.S. do Monte Serrat, e não sendo atendida voltou-se para a Umbanda, que era uma febre universal no Brasil na década de 70. Então, devo ter visitado uns dez centros deste tipo ao longo destes dois anos. Tinha um pouco de medo daquela gente esquisita, com roupas brancas rendadas e sobrepostas (as mulheres) e por isto não me interessei pelo fenômeno em si. As músicas eram cativantes e é uma pena que não se preservaram em vídeo os “trabalhos” dos terreiros. O atabaque fazia contraponto com as vozes da Gira, que cantavam para receber caboclos, crianças, baianas, marinheiros, iemanjás, pretos velhos, etc.etc... Cada um com um “ponto” diferente. Melodiosos, bonitos mesmo. Creio que as igrejas evangélicas apressaram o fim desta fase na cultura/religiosidade brasileira. Se para o bem ou para o mal, só Deus sabe! No fim da década de 70, minha mãe se voltaria para as igrejas pentecostais com o mesmo resultado para o meu irmão, ou seja, nenhum! Aliás, foi até mais perigoso o evangelismo irresponsável, que perdura até hoje, do que a Umbanda: alguns convenciam meu irmão que Jesus o tinha curado, com isso ele suspendia os remédios que o mantinham estável e o surto psicótico acabava por levá-lo a internações, coisa que os “santos” nunca fizeram. Se aquilo tinha /tem um caráter verdadeiro não poderia dizer. Talvez sim, em alguns casos, e talvez não, em outros. Hoje eu acredito que a maioria dos transes eram apenas manifestações do inconsciente que se adaptava a um padrão vibratório e respondia à música e ao desejo de se  produzir um fenômeno, no caso uma personagem com forças divinas. Mas, quem sabe, outras foram genuínas. Eu não saberia diferenciar uma da outra.

 

Nesta época foi que aconteceu minha primeira experiência inusitada e não explicada, para mim, pela ciência. Concedo que talvez a Psicologia consiga uma explicação plausível. Mas ser plausível não quer dizer que seja verdadeiro. Tenho por mim que não foi impressão ou um truque do inconsciente e da imaginação.

 

Eu estava na cama e -como muitas e muitas vezes aconteceu- mantinha um diálogo choroso/rancoroso para com Deus, Jesus, anjos. Tudo o que um menino católico homossexual aterrorizado com a situação pessoal, proibido, por si mesmo, de apresentar o problema aos pais, aos irmãos e aos amigos, tinha represado de mágoas e frustrações, se esvaía em lágrimas silenciosas ao me deitar. Nesta noite, num paroxismo mais agudo, eu rezava/pedia/suplicava para que Alguém se compadecesse e me ajudasse. Pois bem, eu deitara de costas e tinha uma das mãos próxima à cintura, chorava dolorosamente quando uma gota morna pingou nesta mão. Do nada, como que vindo do teto, onde não passavam canos e muito menos com água quente. Como se alguém tivesse se compadecido e, sem poderes de intervir, apenas chorava comigo, solidariamente.

 

Eu tenho o fenômeno como genuíno. Não havia jeito de uma lágrima vencer a gravidade e, ainda assim, pular 50 cm. O fato não ajudou muito, mas, pelo menos, eu já não me sentia tão só!



Escrito por Delsio às 03h01
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